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Escritora Isabel Alçada Comissária do Plano Nacional de Leitura. Coordenou o Grupo de Trabalho que elaborou o Relatório do Programa da Rede de Bibliotecas Escolares. |
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Desde 1996, ano em que o então Ministro da Educação professor Marçal Grilo decidiu lançar a Rede de Bibliotecas Escolares, a realidade alterou -se tão profundamente, que hoje, passados apenas dez anos, se torna difícil evocá-la. Mas para se poder compreender o que aconteceu e valorizar devidamente o esforço de quem se empenhou em dar corpo ao projecto, é indispensável lembrar o que então existia. O panorama era na verdade desolador. Dificuldades e carências a todos os níveis. Sobretudo nas escolas de 1º Ciclo, onde não existiam nem espaços, nem estantes, > ( cont. da pág. 1) nem livros, e, talvez mais grave ainda, onde nem sequer se reconhecia a necessidade de mudar. Raramente os responsáveis pela educação – professores ou pais, políticos ou técnicos do Ministério ou das Câmaras Municipais reconheciam a importância de se dotar as escolas com bibliotecas pois, à época, nem sequer as encaravam como realidade virtual. Biblioteca, para muitos biblioteca era sinónimo de colecção de livros antiquados arrumados em armários com chave, sem função no processo educativo. Hoje, graças à persistente e determinada acção da equipa da Rede de Bibliotecas Escolares, tão eficazmente dirigida pela Dr.ª Teresa Calçada, tudo mudou. O país dispõe de cerca de 1800 bibliotecas escolares de qualidade, equipadas com recursos próprios para o acesso à informação no século XXI e para o desenvolvimento das competências de leitura. O próprio conceito de biblioteca escolar deixou de ser flutuante. As escolas que ainda não entraram na Rede, esforçam-se por fazê-lo e apresentam justificações para o atraso. As escolas que já fazem parte, exibem com entusiasmo a sua biblioteca, sinal inequívoco de actualização e progresso. A Rede de Bibliotecas Escolares é, sem dúvida, uma das realizações mais dinâmicas e mais conseguidas do Sistema Educativo Português. Constitui a base sobre a qual se lança hoje o Plano Nacional de Leitura. Faço votos para que o Plano Nacional de Leitura, seja assumido com o mesmo entusiasmo pela comunidade educativa. Isabel Alçada |

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Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues Ministra da Educação |
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O Dia Internacional da Biblioteca Escolar afigura-se como o momento certo para assinalar os dez anos do programa da Rede de Bibliotecas Escolares. Este programa constitui um exemplo notável da importância da continuidade estratégica de uma política, traduzida num conjunto estruturado de pequenas medidas. O saber avançar com passos seguros através de um caminho longo e a capacidade de garantir altos níveis de qualidade nas> |
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É sempre difícil fazer um depoimento sobre um tema que nos é muito caro e com o qual estamos relacionados de forma particular. O Programa das Bibliotecas Escolares lançado em 1996 e que portanto completa agora dez anos de existência é uma daquelas iniciativas a que me orgulho muito de ter o meu nome ligado. Uma Escola sem Biblioteca é como uma Biblioteca sem livros, ou seja, a Escola para o ser realmente tem que dispor de uma espaço onde “reina” o livro e onde cada um pode dedicar-se > à aitura, ao estudo, à reflexão e à aprendizagem. (cont. da pág. 1) Leitura esta que deve incluir uma grande diversidade de temas, sejam das matérias inscritas nos curricula escolares, seja de tudo o que em forma de livro possa merecer o interesse dos alunos ou dos professores. Está hoje demonstrado que a Biblioteca Escolar é um elemento essencial no funcionamento de uma escola de sucesso. Os resultados de alguns estudos efectuados por diversas Universidades mostram que existe uma correlação directa entre os resultados alcançados pelos alunos e a existência de uma Biblioteca Escolar devidamente equipada e funcionando em estreita articulação com o processo de ensino/aprendizagem das diferentes disciplinas que integram o curriculum. É nesta perspectiva que eu saúdo todos os que têm dado corpo a este grande projecto que tem como objectivo contribuir para um ensino com maior qualidade e com maior capacidade para motivar os nossos alunos na área do livro e da leitura. Cada leitor que uma Biblioteca ajude a criar é um passo no sentido da consolidação de uma sociedade mais culta e mais empenhada na aquisição de saberes e de conhecimentos. Ninguém põe em causa a importância das novas tecnologias, nomeadamente a utilização deste novo e fantástico equipamento que é a Internet, mas sem o livro e sem a leitura dificilmente se consegue o grau de reflexão e ponderação que caracterizam um verdadeiro Leitor. Como dizia Alberto Manguel, não basta que as pessoas saibam ler, é preciso que cada um seja um autêntico Leitor capaz de reflectir, de questionar e de fazer a própria interpretação do que lê. Eduardo Marçal Grilo |


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Teresa Calçada Nos últimos dez anos as bibliotecas escolares em Portugal mudaram significativamente e muitas foram as vontades que se reuniram num esforço comum para tornar possível esta mudança. Em primeiro lugar, o grupo de trabalho que esteve na base do relatório síntese que deu origem a este Programa. Em seguida todos os que integraram o Gabinete RBE ao longo desta década e os que colaboraram connosco para tornar possível esta missão. Nas Direcções Regionais >de |