Caixa de texto:  
Editorial
RBE- 10 anos
Conferência da IASL

Depoimentos
Ministra da Educação
Prof. Dr. Marçal Grilo
Escritora Isabel Alçada
Rosa Martins
Cristina Santos
Bib. EB1 Ferreira do    Alentejo

Boas práticas 
Candidatura de Mérito
Boas Bibliotecas 
Boas páginas

UMA ESCOLA COM BIBLIOTECA DENTRO

Rosa Martins

O que é, afinal, uma escola com biblioteca dentro?

Uma escola com biblioteca dentro é uma escola onde:

· Muitas e diferentes leituras acontecem; mediadas por teclados, ratos ou saboreadas no aconchego dos ouvidos ou no calor da palavra;

· O cheiro, o toque e o sabor dos livros passeia nas mochilas e vagueia em conversas e em pensamento pelos corredores. Dorme connosco na cama e partilha connosco sonhos e aventura;

·  A palavra, o som, a imagem, a escrita… se materializam em objectos e suportes, e crescem até ao infinito, numa galáxia transformada em rede que nos liga ao Mundo. Quantas portas, sites, portais, mundos se abrem na simples brincadeira ou na busca, na pesquisa, nas aprendizagens… na construção do conhecimento?

 O saber acontece e se cumpre em enriquecimentos curriculares e outros… Muitos… Vários!... Em apoios ao estudo. Em apoios diferentes. Em trabalhos planeados e articulados; em planificações, em discussões, em redes de trabalho. >

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Esta grande casa abre-nos ao mundo. Abre-nos muitos mundos. Os nossos, os das leituras, os dos outros… O bibliotecário, embora dono de uma casa maior, passou a ser nosso parceiro e a trabalhar connosco. Quantos benefícios!... Trabalhamos com diferenças mas o produto das somas é muito maior. Todos ganhamos. Formamos mais e melhores leitores e cidadãos mais capazes de exercer a cidadania. E todos podemos aceder a diferentes bens com maior equidade. As redes, com e sem fios, multiplicam-se. E vieram para ficar.

Existe uma grande casa, enorme em grandeza, dentro da casa maior que é escola. Nessa casa a que chamamos biblioteca um universo de possibilidades e de saberes pode acontecer. Nessa casa, o cheiro a trabalho e o odor da inspiração cruzam-se e completam-se com o riso da criançada, num empenho colectivo para mais e melhores aprendizagens, para mais e melhor escola.

Perspectivando dez anos de desenvolvimento de bibliotecas escolares nas escolas do 1º Ciclo, através do Programa Rede de Biblioteca Escolares…

 Que fazer destas bibliotecas?

 Oitocentas e sete bibliotecas escolares em escolas do 1º Ciclo apoiadas desde 1997.

 Tijolo a tijolo, num desenho lógico, diria o poeta. Lógicas de crescimento entre continuidade e ruptura. A lógica que garante a continuidade. A ruptura que, por norma, instaura a mudança.

 Perspectivando o passado, o nosso olhar fotográfico da escola sem biblioteca dentro devolve-nos com frequência a escola dos blocos lógicos, da caixa métrica, do quadro preto e do giz. A escola do pouco mais que mesas, cadeiras e manuais com que todos os dias confrontávamos os meninos. A escola ausente, na quase totalidade dos casos, de livros ou com um punhado de livros muitas vezes pouco adequados aos gostos e interesses dos alunos. Livros secretamente fechados num armário que desenferrujava ocasionalmente.

 Fomos, ao longo do tempo, encontrando estratégias, conseguindo, alguns de nós, erguer verdadeiras ilhas de diferença, construindo en avant garde a escola com biblioteca dentro. Outros de nós encontrámos maneiras de trazer os livros à escola. Criámos comunidades de troca de livros entre alunos, realizámos concursos, feiras do livro, vendemos produtos, na ânsia de dar à escola o mundo que cabe nas páginas dos livros. Não raras vezes, envolvemos os encarregados de educação e, com estas estratégias, fizemos da sala de aula a biblioteca. Os textos e as histórias desfilaram na mesma sob o olhar atento dos meninos e nós sempre (re)construímos os mundos possíveis que os livros têm dentro.

 Hoje, livros e outros recursos de informação estão ao alcance das nossas mãos e da acção educativa que, como sempre, empenhadamente, procurámos cumprir com qualidade. E podemos diversificar estratégias e actividades. Hoje, contamos com um mundo de suportes e de equipamentos. Realidades que abrem portas a novas formas de ler, de aceder à informação, de desenvolver o processo de ensino/ aprendizagem.

 Enquanto profissionais com responsabilidades educativas não podemos deixar passar a torrente e determo-nos na margem, assistindo à mudança sem qualquer gesto de intervenção. A biblioteca escolar está lá. Para desenvolver as literacias que nos incluem neste novo mundo. Para nos dar a possibilidade de cuidarmos a formação dos nossos alunos, dotando-os das competências necessárias à progressão nas aprendizagens, à construção da cidadania, à sobrevivência na Sociedade do Conhecimento, dominada pelos paradigmas tecnológico, digital e da informação.

 Hoje, como sempre, seremos nós professores os pivots da mudança. E a mudança constrói-se entre ruptura e compromisso. A ruptura necessária à alteração de práticas interiorizadas de isolamento e de magistralidade - mas que dificilmente preparam para os novos desafios da escola actual -  e o compromisso necessário, o casamento assumido, a perspectiva de que a biblioteca escolar e os recursos que disponibiliza reforçam a actividade pedagógica, desenvolvem um conjunto de competências necessárias às aprendizagens.

 Viajamos, por isso, nas nossas escolas, em grupos ou em conjunto com a turma até à biblioteca escolar para aí trabalharmos, de forma articulada e transversal, com as matérias que estamos a leccionar, para desenvolvermos pesquisas, ou com fins lúdicos ou pedagógicos intencionalmente definidos, preparando cidadãos do futuro, necessariamente mais letrados porque lêem mais, mas também mais letrados nos domínios tecnológico e digital..

(coont. da pág. 10)

 A biblioteca escolar integrada num sistema complexo onde diferentes actores interferem está condicionada à gestão que os conselhos executivos fizerem do espaço e dos recursos. Coordenadas, na sua maioria, por recursos humanos com formação, com horários enquadráveis nas possibilidades do país e na diversidade de situações que a rede escolar desigual cria, as bibliotecas escolares são espaços organizados com funcionalidades múltiplas, mas passam ainda por um processo de apropriação pela escola, condicionado muito directamente pelo empenho colocado pelo Conselho Executivo e pela capacidade de liderança que os recursos humanos afirmarem neste processo. Cabe-lhes a tarefa de servir a escola através da biblioteca escolar, fornecendo recursos, delineando actividades e projectos, trabalhando com professores e alunos.

 Entre continuidade e ruptura, fomo-nos apercebendo, ao longo dos anos, que a continuidade era uma linha nem sempre recta e que havia descontinuidades e necessidade de alterações de direcção. E que aquilo que durante anos fizemos e julgámos fazer bem teve que sofrer inversões. São as mudanças introduzidas na escola que, necessariamente, se reflectem na biblioteca escolar. Hoje, as bibliotecas terão que responder à designada Escola a tempo inteiro.

 O que se espera é que as nossas bibliotecas sejam bibliotecas com actividade dentro. Elas serão aquilo que nós professores, enquanto escola, soubermos e quisermos delas fazer.

Lisboa, 19 de Outubro de 2006

Rosa Martins

Caixa de texto: Depoimentos

Depoimento da Equipa  da Biblioteca da Escola EB 1 de Ferreira do Alentejo

 

Numa época de mudança da política educativa e de novas necessidades, nasce a Biblioteca Escolar. Criada para responder a novos apelos… novas experiências, para promover outros envolvimentos, a Biblioteca Escolar Centro de Recursos Educativos (BE/CRE) do Agrupamento Horizontal de Escolas de Ferreira do Alentejo, surge como mais uma estrutura educativa, como mais um meio de aposta no encontro e na partilha, de todos os recursos existentes junto de toda a comunidade educativa.

Integrada na Rede Nacional em 2002, a BE/CRE apetrecha-se anualmente com novos materiais e as sucessivas equipas, têm vindo a apostar em actividades que cativem o interesse de todos e motivem para o desenvolvimento de projectos diferentes 

 

 

 

 

 

 

e diversificados no âmbito da divulgação e promoção do livro e da leitura.

O intercâmbio e a partilha, têm sido o motor impulsionador de um trabalho articulado, que visa o ponto de encontro entre todo e qualquer membro da comunidade educativa, seguindo o caminho da valorização e enriquecimento das aprendizagens.

Da animação da leitura, à exploração de textos, da Hora do Conto à dramatização, da escrita criativa à construção de livros, da expressão plástica à culinária como suportes de ilustração, da construção de materiais à organização de equipamentos e outros recursos, a Biblioteca Escolar Centro de Recursos Educativos tem uma função especial de promover e apoiar a actividade curricular.

Ao longo dos anos, a BE/CRE tem conseguido registar níveis bastante elevados de interesse, de participação, de interacção e até algum sucesso. É um espaço aberto, de livre circulação, aglutinador e onde todos (adultos e crianças), se sentem como parte integrante.

Num contexto educativo inserido no meio rural, afastado dos grandes meios urbanos caracterizado por pequenas escolas dispersas, são as BE/CRE (actualmente três) que cumprem a função de aproximar a criança do livro e de equipamentos tecnológicos diversificados actuais. Em articulação constante com a comunidade docente, programam-se, realizam-se e avaliam-se as propostas e o percurso a percorrer.

A função particular e primordial de uma Biblioteca Escolar, inserida num contexto educativo como o nosso, tem como objectivo máximo, contribuir para que todas as crianças e alunos, desenvolvam competências no domínio das tecnologias da informação e da comunicação, e especialmente, no domínio da área da leitura e da escrita, não esquecendo que acima de tudo, estamos a contribuir para a formação de leitores.

 

BE/CRE de Ferreira do Alentejo

A Coordenação

Depoimento de Cristina Ramos
Coordenadora da Escola EBI/JI da Vidigueira

 

Chegar ao Interior não é tarefa fácil e os caminhos são muitas vezes sinuosos. O acesso à cultura continua a conhecer grandes obstáculos que nem por vezes as novas tecnologias da informação conseguem minimizar. Os artistas plásticos raramente expõem nas regiões do interior, as famosas companhias de teatro ou dança actuam geralmente nas grandes cidades e os grandes nomes da música excepcionalmente pisam o palco da interioridade.

Numa região pautada pela ruralidade e sem um biblioteca de rede pública no concelho, a adesão da EBI c/ JI Frei António das Chagas – Vidigueira à RBE, no ano lectivo 2003/04, proporcionou à comunidade escolar, e sobretudo aos alunos, uma maior diversidade de canais de informação de livre acesso, alguns dos quais uma novidade para eles. Tendo em conta estes factores, a BE da EBI c/ JI da Vidigueira tem desenvolvido, nestes três anos, um trabalho orientado não só para o suporte dos currículos, como também para a promoção

 

 

 

 

 

 

 

 de competências que estimulam o saber pelo trabalho e pelo prazer. E este esforço da nossa BE já se tornou visível. Cada vez mais alunos e professores solicitam os serviços, os equipamentos e o fundo documental da biblioteca quer para a sala de aula, quer para consulta presencial, ou empréstimo domiciliário. Graças ao investimento da RBE na EBI c/ JI da Vidigueira, a nossa biblioteca escolar derrubou os obstáculos levantados no caminho das letras, minimizou as assimetrias, deu a conhecer novos mundos e, mais importante, democratizou o acesso à informação. À medida que os “braços” da BE se vão estendendo e entrelaçando na vida da comunidade escolar ficamos com a certeza que algo mudou: a postura perante um livro ou um DVD já não é a mesma; a Internet, os jornais e as revistas tornaram-se imprescindíveis; muitos escritores passeiam pelos corredores da escola debaixo do braço ou dentro da mochila dos alunos; a biblioteca é o espaço mais requisitado do nosso estabelecimento de ensino. Afinal, é lá que existe tudo aquilo que grande parte dos meninos do concelho da Vidigueira não tem nem em casa, nem na sua terra. A Rede de Biblioteca Escolares apertou bem as suas malhas para que o conhecimento não escape às crianças do interior.

 

A Coordenadora da BE da

EBI c/ JI Frei António das Chagas – Vidigueira

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