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Nº 2 - Março - 2007 |
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FORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS ESCOLARES UM DESAFIO PARA AS ESCOLAS “Quem deixa de aprender, deve deixar de ensinar” Provérbio árabe Odília Baleiro A biblioteca escolar representa hoje um espaço educativo de transcendental importância para o processo de ensino aprendizagem. Concebida como um grande centro de recursos, coloca à disposição de professores e alunos um conjunto muito variado de recursos necessários aos objectivos da educação do século XXI e indispensáveis numa escola que deseje oferecer produtos e serviços de qualidade. Implica, assim, pensar e usar a biblioteca na vida diária da escola, em tempos lectivos e não lectivos no quadro da escola actual. Contudo, a existência de biblioteca escolar não significa em si mesma alterações qualitativas na lógica do funcionamento da instituição escola. Segundo Canário1 (1998) “é pertinente afirmar que o desenvolvimento da BE não representa o “acrescento” funcional de um serviço, mas sim uma inovação organizacional que potencialmente se repercute na totalidade da organização escolar”, pressupondo uma reorganização interna das relações de poder, assentes em políticas articuladas e enquadradas no projecto pedagógico da escola. Gerir a BE e os seus recursos, organizar a informação e disponibilizar serviços de qualidade implica um modelo de gestão, que pressupõe a existência de um plano, a definição de objectivos claros em torno dos quais se assume um compromisso, sustentado num necessário envolvimento/trabalho colaborativo com todos os actores, através do desenvolvimento de um processo de comunicação que facilitará a consecução daqueles objectivos, exigindo a aquisição de competências e conhecimentos nas áreas específicas no domínio da biblioteconomia, gestão da informação e documentação, da leitura e das tecnologias. Por isso, as escolas com bibliotecas integradas, dispondo de um conjunto de recursos de inegável valor educativo, pedagógico e cultural devem enquadrar no seu PEE2 esta mais valia que é a biblioteca e pensar um projecto de formação que capacite, quer os elementos da equipa quer todos os elementos da comunidade educativa, para uma efectiva gestão e uso da abundância de meios capazes de produzir eficácia. O recurso à formação e actualização dos percursos profissionais é um imperativo da sociedade moderna em todos os sectores da sociedade e em particular à escola e aos docentes que nela exercem funções. Desde 1997, a formação que tem vindo a ser disponibilizada, quer a inicial quer a contínua não tem correspondido, em muitos casos, às solicitações e exigências dos professores que nas bibliotecas trabalham, limitando a oferta, quer no que respeita aos temas quer ao número e assimetria geográfica, deixando de fora muitas zonas do país, sobretudo as que se afastam dos centros urbanos, visando quase exclusivamente o professor coordenador e equipa da biblioteca. Para responder a esta necessidade há muito identificada, o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares elaborou um Plano de Formação Contínua para 2007, indicando um conjunto de áreas e temas, que visa abranger TODOS os professores. Área A
A integração da BE no Projecto Educativo de Escola - 2 acções
1.Papel e função da biblioteca
2. BE e o processo de ensino – aprendizagem
Área B
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DREA |
57 acções |
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DREALG |
24 acções |
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DREC |
142 acções |
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DREL |
152 acções |
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DREN |
219 acções |
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TOTAL |
594 acções |
As escolas com bibliotecas integradas desde 1997 encontram-se em estádios diferentes de desenvolvimento. Cabe, por isso, à Escola, à gestão e à coordenação da BE definir e elaborar o seu plano de formação3, identificando as suas necessidades e priorizar os públicos alvo a abranger, numa lógica de envolvimento de
todos, constituindo um processo endógeno, capaz de traduzir uma mudança efectiva de práticas, através de um“…cooperative programme planning4
O Plano de Formação em vigor desde Janeiro tem um prazo de execução até Dezembro de 2007. Significa isto que as Escolas e as Equipas podem/devem calendarizar acções que respondam às suas necessidades de formação, até ao final do ano.
A formação do professor bibliotecário e equipa deve constituir uma prioridade no plano de formação a desenvolver pela escola, no sentido de garantir a gestão e organização da BE e dos serviços que pode facultar à comunidade educativa. Estes docentes devem constituir recursos especializados, líderes aptos a desenvolver um plano estratégico para a BE, desde a sua integração e institucionalização no quadro da escola, definir estratégias articuladas com o órgão de gestão, promover o trabalho cooperativo com as outras estruturas da escola, designadamente os professores coordenadores dos departamentos e participar em actividades em estreita articulação com a sala de aula, apoiar os alunos individualmente ou em grupo em situações de aprendizagem formal e/ou lazer, definindo e promovendo planos de trabalho para o uso da BE e dos seus recursos. Espera-se hoje do professor bibliotecário e da equipa “…não só gerir a informação e a oferta de serviços e produtos…mas também uma atitude pró-activa que o coloque em destaque, como especialista da informação, como líder e gestor…”5, cujas competências profissionais e pessoais são essenciais para o desempenho das suas funções e se tornam cada vez mais exigentes.
Sendo a biblioteca um espaço multifuncional com recursos para todos e para cada um em particular, o órgão de gestão, o conselho pedagógico e a assembleia são agentes educativos fundamentais para facilitar e promover a sua institucionalização na escola/agrupamento. Por isso, a formação destes elementos, capacitando-os para a compreensão da missão e objectivos da biblioteca é uma condição indispensável para o seu desenvolvimento, numa escola que deseje responder aos desafios do século XXI.
Parece ser consensual que a formação e a permanente actualização do percurso profissional de qualquer cidadão, independentemente dos formatos ou modalidades, é incontornável, num “mundo que no seu conjunto evolui tão rapidamente que os professores, como, aliás os membros das outras profissões, devem começar a admitir que a sua formação inicial não lhes basta para o resto da vida: precisam de actualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos e técnicas, ao longo da vida”6 (Delors, 2003:139)
Para que a biblioteca assuma o seu incontornável papel de promotora de mudança na designada Sociedade da Informação, o órgão de gestão e equipa da BE devem liderar o processo de formação que vise uma efectiva transformação no quadro pedagógico da escola, dando razão a Drucker (1999)7 “managers must do more than adapt to change: they have to lead it”
Notas
1. Canário, Rui (1998). Desenvolvimento de bibliotecas escolares e fomação contínua de professores.Lisboa: ME
2. Projecto Educativo de Escola
3. Dec-Lei nº 115ª/98. Competências do Conselho Pedagógico alínea e)Elaborar o Plano de Formação e de actualização do pessoal docente e não docente, em articulação com o respectivo Centro de Formação de associação de escolas, e acompanhar a respectiva execução.
4. Howlet, Barbara. Communication Skills and Strategies for Teacher-Librarians. Disponível em
5. Tarapanoff, Kira (2000). As Novas Tecnologias e o Profissional da Informação nas Bibliotecas do Século XXI. O bibliotecário na sociedade pós-industrial. Universidade de Brasília. Disponível em www.snbu.bvs.br/snbu2000/home.html. [consultado em 10.11.2006]
6. Delors, Jacques (coord) (1996). A educação um tesouro a descobrir. Lisboa: Editora Asa
7. Drucker, P.F. (1999). Administrando em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Pioneira


