O Programa RBE associa-se à comemoração do Dia da Internet Segura.
Para muitas crianças e jovens de hoje, a Internet, os telemóveis e outras tecnologias são uma presença constante e familiar. Este uso crescente que inclui crianças com idades cada vez mais jovens tem muitos benefícios educativos e sociais, mas traz consigo, também, muitos riscos.
As bibliotecas escolares têm um papel fundamental neste domínio. São lugares de acesso, de trabalho e de aprendizagem do uso destas tecnologias. Têm desde logo, a obrigação de criar condições e ambientes de acesso seguros mas têm, também, responsabilidades acrescidas na educação dos jovens na sua relação com os meios digitais. A sua ação pode traduzir-se na promoção de oportunidades de aprendizagem que levem os jovens a compreender os riscos e a serem capazes de lidar com eles. As bibliotecas contribuem para a consciencialização dos riscos legais e do impacto devastador do cyberbullying e de outras ações mal-intencionadas, e para a construção de uma cidadania digital responsável.
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Consciente do papel das bibliotecas escolares, e no sentido de melhor fundamentar a sua ação, o Gabinete RBE estabeleceu uma parceria com o núcleo de investigação português do Projeto EU Kids Online [eukidsonline.net], um estudo europeu comparativo transnacional, coordenado em Portugal, pela professora Cristina Ponte – Universidade Nova de Lisboa. Os resultados do estudo português que retratam a realidade e as situações a que estão expostas as crianças portuguesas e que devem fundamentar o conjunto de ações a implementar, podem ser consultados em WWW:<URL: http://www.fcsh.unl.pt/eukidsonline>.
Em setembro de 2011 foi publicado um Relatório Final, cuja leitura aconselhamos e que apresenta dez mitos sobre os jovens e a Internet que nos devem fazer refletir sobre as ideias que temos, contrapondo o que a investigação evidenciou:
1. O nativos digitais sabem tudo
Só 36% dos inquiridos entre os 9 e os 16 anos dizem ser muito verdade que sabem mais sobre a Internet do que os seus pais. Este mito encobre a necessidade de as crianças desenvolverem competências digitais.
2. Toda a gente cria os seus próprios conteúdos
O estudo mostrou que só 1 em cada 5 crianças tinha recentemente usado um site para partilha de ficheiros ou criado um avatar e metade desse número tinha escrito num blogue. A maioria das crianças usa a Internet para encontrar produtos prontos a usar.
3. Quem tem menos de 13 anos não pode usar sites de redes sociais
Embora muitos sites (incluindo o Facebook) digam que os utilizadores têm de ter pelo menos 13 anos, o estudo mostra que os limites de idade não funcionam – 38% dos inquiridos ente os 9 e os 12 anos têm um perfil numa rede social. Alguns argumentam que os limites de idade deviam deixar de existir para permitir uma maior honestidade e melhor proteção.
4. Toda a gente vê pornografia online
Uma em cada sete crianças tinha visto imagens sexuais online no último ano. Mesmo pensando que há ocorrências não relatadas, este mito foi parcialmente criado por um hype dos media.
5. Os bullies são maus
O estudo mostra que 60% daqueles que praticam o bullying (online ou offline) foram eles próprios alvos de bullying. Os bullies e as vítimas são muitas vezes as mesmas pessoas.
6. As pessoas que encontramos na Internet são estranhos
A maior parte dos contactos online são com pessoas que as crianças conhecem face a face. Nove por cento encontrou-se offline com pessoas com quem contactaram pela primeira vez online – a maioria não foi sozinha e só 1% teve uma má experiência.
7. Os riscos offline migram para o online
Isto não é necessariamente verdade. Apesar de as crianças que levam vidas de risco offline terem mais probabilidade de se exporem a perigos online, não se pode assumir que aquelas que são de baixo risco offline estejam protegidas online.
8. Pôr o PC na sala de estar ajuda
É tão fácil para as crianças aceder à Internet em casa de um amigo ou através de um smartphone que este conselho está desatualizado. É melhor que os pais conversem com os filhos sobre os seus hábitos na Internet e que se juntem a eles em algumas atividades online.
9. Ensinar competências digitais reduz os riscos online
Na realidade, quanto mais competências digitais uma criança tiver, mais provável é que encontre riscos ao alargar a sua experiência online. O que as competências podem fazer é reduzir os potenciais danos que os riscos podem acarretar.
10. As crianças conseguem contornar o software de segurança
Na realidade, menos de um terço dos inquiridos ente os 9 e os 11 anos dizem que sabem mudar as preferências dos filtros. E a maioria diz que as ações dos pais para limitar a sua atividade na Internet são úteis.
Os resultados finais e completos do inquérito levado a cabo junto de milhares de crianças europeias, entre os 9 e os 16 anos, e os seus pais permite assim ter uma perspetiva europeia sobre riscos e segurança online e sobre como os jovens lidam com estes dois elementos.
Esta temática, pertinente e atual, desperta cada vez mais interesse junto de responsáveis políticos e organizações mundiais. Em dezembro de 2011 foi publicado um relatório da UNICEF, Segurança das crianças online: desafios e estratégias globais. O estudo, realizado em colaboração com o UK-based Child Exploitation Online Protection Centre, passa em revista as evidências e práticas globais e responde às perguntas “quais são os riscos para as crianças online?”; “quais são as respostas mais eficazes para lhes dar maior segurança?”. O relatório faz sobressair mitos e fornece evidências que podem sustentar a resposta ao problema por parte dos políticos, dos profissionais, das famílias e das empresas.
1. Categoriza os riscos a que as crianças estão sujeitas:
a) dano online proveniente do conteúdo (a criança enquanto recetor passivo de conteúdos de cariz sexual pornográfico ou abusivo);
b) dano proveniente do contacto (a criança que é alvo, enquanto participante, das ações de um adulto ou de outra criança, tais como o abuso sexual fotografado e posteriormente disseminado, para aliciamento online ou para bullying);
c) dano proveniente da conduta (a criança tem a iniciativa em comportamentos arriscados ou abusivos, por exemplo, criando ou fazendo upload de material pornográfico, encontrando-se pessoalmente com um adulto que conheceu online, colocando online imagens de si própria ou de outros jovens, fazendo o download de imagens de abuso sobre crianças ou de bullying).
2. Identifica as estratégias chave a incrementar:
a) capacitar as crianças e promover a sua resiliência;
b) acabar com a impunidade para os abusadores;
c) reduzir a disponibilidade e o acesso à prática do abuso;
d) apoiar a recuperação de crianças que foram sujeitas a abuso.
3. Reforça a necessidade de educar os jovens e desmistifica ideia que os dados da investigação contrariam [Mitos e factos].
Finalmente, indica algumas medidas a ter em conta pelos responsáveis e partes interessadas: Construir um ambiente mais seguro para os jovens – para quem a Internet constitui uma parte fundamental das suas vidas e o mundo online e offline se confundem – requer quatro estratégias chave:
a)capacitar as crianças e promover a sua resiliência;
b) Acabar com a impunidade para os abusadores;
c) reduzir a disponibilidade e o acesso à prática do abuso;
d) apoiar a recuperação de crianças que foram sujeitas a abuso.
Veja também:
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Dia Internet Segura |
Mitos e factos |
Relatório Kids Online |
Relatório UNICEF |

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![Mitos e factos [PDF] Mitos e factos [PDF]](np4/?newsId=458&fileName=2.jpg)
![Relatório kids Online [PDF] Relatório kids Online [PDF]](np4/?newsId=458&fileName=3.jpg)
![Relatório UNICEF [PDF] Relatório UNICEF [PDF]](np4/?newsId=458&fileName=4.jpg)