Discurso da Senhora Ministra da Educação
Maria de Lurdes Rodrigues
Ministra da Educação
Junho de 2009
Momento da intervenção da Senhora Ministra da Educação
Esta iniciativa assinala os 13 anos da Rede das Bibliotecas Escolares. Pretende-se que seja um dia de balanço e de reflexão sobre o futuro.
Apresenta-se, hoje, a história do trabalho feito ao longo dos últimos 13 anos. No inevitável balanço, haverá espaço para inúmeras referências sobre essa história.
Desde logo, ao modo como surgiu, em 1997, e como se desenvolveu em seguida, o programa da rede de bibliotecas escolares. Como também não deixará de se referir o número de bibliotecas construídas ou renovadas, o número de professores e de alunos envolvidos e o investimento realizado.
Ou, ainda, de especificar o que deve ser hoje uma biblioteca escolar e a necessária exigência de padrões de qualidade, estáveis e normalizados, no que respeita ao equipamento, ao espaço, aos fundos documentais, à organização, ao funcionamento e aos serviços prestados.
A história do trabalho feito passa também pelo reconhecimento da importância e da centralidade de cada uma das bibliotecas criadas, não só na respectiva escola, como no serviço prestado pelas bibliotecas das escolas sede à rede de escolas do primeiro ciclo para garantir a todos os alunos condições de igualdade no acesso aos livros.
A partir de casos concretos, haverá espaço para reflectir sobre o impacto do programa nos processos de ensino e de aprendizagem, sobre as mudanças e inovações que induziu.
Olhando para a história mais recente, não deixará de se considerar a articulação da rede das bibliotecas com o Plano Nacional de Leitura, e a necessidade de salvaguardar a especificidade de cada um dos programas. Como não deixarão de se referir os novos desafios e exigências colocados pelo uso dos novos meios e recursos que o Plano Tecnológico da Educação está a fazer chegar às escolas e às bibliotecas escolares.
Na apresentação dos resultados da avaliação externa do programa, serão especialmente valorizadas as dinâmicas educativas geradas nas escolas e os níveis de satisfação alcançados por professores, alunos e pais.
E, no final do balanço e da avaliação, não deixará de se apontar para o futuro com o anúncio de novas decisões como sejam o alargamento da rede às escolas profissionais, ou a aprovação de melhores condições de estabilidade e de trabalho para os cerca de 1400 professores bibliotecários coordenadores das equipas das bibliotecas escolares.
Na reflexão sobre os desafios futuros, surgirão novas metas e objectivos e, dessa forma, estaremos a actualizar a nossa ambição.
A história do sistema educativo, dos vários programas em que este se organiza e desenvolve, como é o caso do das Bibliotecas Escolares, têm esta característica de história permanentemente inacabada. Ainda antes de se concluir uma fase, de se alcançar um patamar, já nova janela de ambição se abre e novos objectivos se impõem.
Nesta continuidade progressiva é necessário por vezes introduzir momentos que, fora da rotina, nos permitam afirmar os princípios e valores relacionais que orientam a nossa vida colectiva.
O programa das bibliotecas escolares, a forma como foi pensado, decidido e lançado, a forma como foi desenvolvido e executado ao longo do tempo, bem como a forma como se concretiza quotidianamente no espaço de cada escola, permite sem dúvida afirmar a importância decisiva de alguns desses valores.
Em primeiro lugar, a visão e a ambição inscritas no programa e nos objectivos traçados. À época, o projecto de instalar bibliotecas nas escolas, ocupando um espaço moderno, cuidado e bem equipado, permitindo o livre acesso a livros e revistas de um fundo actual e adequado às necessidades dos alunos e dos professores, bem como o livre acesso a informação em diferentes suportes e por diferentes meios, certamente que se apresentou aos olhos de alguns como impossível, visionário e irrealista, muito distante da situação concreta das nossas escolas e da realidade que então se procurava transformar. À época, certamente que suscitou dúvidas sobre a existência no país de recursos humanos e financeiros para tal empreendimento; ou dúvidas sobre a ordem de prioridades e interrogações sobre se as bibliotecas e os livros não seriam um luxo em relação a outras necessidades de investimentos em recursos educativos e na melhoria do espaço físico das escolas.
Mas estou certa que foi a visão e a ambição de estar mais além, de romper com a realidade, de ser futuro, que fez com que ainda hoje as bibliotecas escolares sejam os espaços mais qualificados, mais valorizados em muitas escolas, os espaços que as escolas gostam de mostrar e onde os professores e os alunos gostam de estar.
Em segundo lugar, foi decisivo o valor da confiança. Confiar, acreditar que está ao alcance das nossas mãos fazer, que é possível concretizar os projectos, que estes não são sonhos mas o resultado da nossa vontade de fazer de forma diligente, persistente, colaborando, confiando em nós e nos que trabalham connosco.
Estou certa que se hoje temos bibliotecas escolares integradas na rede, em todas as escolas básicas e secundárias, e bibliotecas, ou serviços de biblioteca, em todas as escolas do primeiro ciclo, foi porque muitos confiaram e acreditaram no programa, se envolveram de forma continuada, sem desistir, contornando os obstáculos e as dificuldades: falo dos ministros e dos secretários de estado dos vários governos, dos dirigentes do Ministério da Educação, dos parceiros como a Gulbenkian e as autarquias, dos dirigentes das escolas, dos coordenadores das bibliotecas escolares, das chamadas "andorinhas", dos professores bibliotecários, dos técnicos e auxiliares, da Teresa Calçada. Foram muitos os que se dedicaram, confiaram e não desistiram.
Finalmente o orgulho de fazer e de fazer bem. O orgulho de ter êxito, de alcançar objectivos, de ser rigoroso e exigente. O reconhecimento e a valorização do trabalho de cada um são muito importantes para o êxito de qualquer programa. Este é talvez o valor colectivo mais difícil de afirmar no espaço público no nosso país, mas acredito que para estimular a ambição e a confiança, para estimular o desejo de fazer melhor e de ir mais além, é essencial afirmar o nosso orgulho.
Esta iniciativa, que convoca todos os que estiveram, ou que ainda estão, envolvidos no programa da rede de bibliotecas, permite-nos, perante todos, afirmar com orgulho que este foi, e é, um programa bem sucedido, em que os principais objectivos foram alcançados. Afirmar, com orgulho, que hoje todos os alunos das nossas escolas públicas têm acesso a uma biblioteca (com tudo o que isto significa, pelos livros mas também pelo enquadramento e pelas dinâmicas de ensino), que lhes demos melhores condições e mais oportunidades para serem no futuro adultos mais informados, mais qualificados, mais livres, mais implicados, mais capazes de fazer mais pelas futuras gerações e pelo país.
Esta iniciativa permite também afirmar que, chegados aqui, ninguém está dispensado, continuamos todos convocados para enfrentar os novos futuros da educação no nosso país.

![Discurso [PDF]](/np4/?newsId=555&fileName=pdf.jpg)